Ana Hikari explica origem do nome e lembra preconceito racial sofrido na pandemia: 'Não sou um vírus'

No 'É de Casa', a atriz, que está no ar na edição especial de 'Malhação - Viva a Diferença', conversa com a Dra. Thelma Assis, vencedora do 'BBB'

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A atriz Ana Hikari, que está no ar na edição especial de Malhação - Viva a Diferença, conversou com a Dra. Thelma Assis sobre o preconceito contra asiáticos, que tem que intensificado na pandemia do novo coronavírus. A vencedora do BBB explicou que, como o vírus surgiu na China, algumas pessoas têm associado a raça amarela à doença de forma preconceituosa. Ana deu um exemplo de como o isso aconteceu com ela e ainda explicou a origem do seu nome, também relacionado a uma forma de proteção dos japoneses contra a discriminação no Brasil. Veja a entrevista completa no vídeo!

"Eu estava em uma festa de Carnaval, na fila do banheiro, e um garoto branco disse para mim: 'Ai, amiga, sai com esse coronavírus daqui'. Eu não sou um vírus, as pessoas não podem reduzir alguém a um vírus", contou Ana.

A atriz lembrou ainda que uma colega sofreu de forma mais bruta esse preconceito no trabalho. "Jogaram álcool gel na cara dela porque ela era asiática", disse. Ana ressaltou que o preconceito contra povos amarelos no país vem de tempos remotos, inclusive contou que os nomes dos japoneses no país eram escolhidos visando a proteção contra o preconceito. Hikari, por exemplo, significa "luz" em japonês.

"Muitos descendentes de japoneses têm o primeiro nome abrasileirado e o segundo nome japonês, como eu tenho. Porque era mais fácil de se inserir dentro da sociedade brasileira", ressaltou ela.

Hikari disse ainda que a mãe é profissional da saúde e que até tentou fazer com que ela pedisse uma licença, com medo de que ela se contaminasse. No entanto, ela entendeu a paixão da mãe pela profissão, elogiada por Thelma, que também é médica. Filha de mãe asiática e de pai negro, Ana disse que já presenciava o preconceito antes mesmo de ter vocabulário para entender a situação.

"Eu estava andando com meu pai quando era pequeno e pararam o meu pai para perguntar onde ele tinha pego essa criança, como se eu não pudesse ser filha dele. Já aconteceu do meu pai entrar na farmácia e a gerente abordá-lo e falar para ele ir embora porque ele não ia ter dinheiro para pagar, que ele estava roubando...", recordou ela.

Ana salientou que o "preconceito é algo que está se acentuando, mas não é de hoje". E ainda deu um recado:

"Essa manifestação racial se manifesta em pequenos detalhes, como nas piadas pejorativas. Eu sempre falo: 'leiam livros que falem sobre esses assuntos, vejam filme, série, qualquer coisa. Ouvindo e questionando pequenas atitudes, a gente pode mudar", destacou a atriz.