Fiocruz inicia pesquisa sobre eficácia da vacina BCG no tratamento da Covid-19

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O médico infectologista e pesquisador da Fiocruz, Júlio Croda, responsável pela coordenação do estudo no Mato Grosso do Sul, explica que o projeto é multissemico, uma vez que envolve mais de seis países e mais de 10 mil trabalhadores da saúde pelo mundo

Com apoio do Governo do Estado, por meio da Secretaria Estadual da Saúde (SES), a Fiocruz e o Instituto de Pesquisa Infantil Murdoch, da Austrália, iniciaram nesta segunda-feira (19) o Brace Trial Brasil (BTB), pesquisa com a vacina BCG com objetivo de verificar a proteção de imunizante contra a Covid-19. Dois mil profissionais da saúde de Campo Grande podem participam deste estudo no Estado e serão acompanhados pelo período de um ano.

Para o secretário de Saúde, Geraldo Resende, o Estado se junta às ações mundiais na tentativa de encontrar uma vacina que seja efetiva e eficaz ao enfrentamento a Covid-19. 'Nós estamos dando todo o apoio enquanto Secretaria de Estado de Saúde e fazendo essa construção por meio de parcerias com universidades e pesquisadores. Precisamos encontrar uma vacina a curto prazo e estamos com boas expectativas com esta vacina capitaneada pelo Dr. Júlio Croda. Quero dizer que todas as pesquisas são bem-vindas em Mato Grosso do Sul'.

O médico infectologista e pesquisador da Fiocruz, Júlio Croda, responsável pela coordenação do estudo no Mato Grosso do Sul, explica que o projeto é multissemico, uma vez que envolve mais de seis países e mais de 10 mil trabalhadores da saúde pelo mundo. 'É o maior projeto para avaliar a BCG, único de fase três. É lógico que a vacina da BCG não é uma vacina específica para a Covid, mas vem como uma alternativa e precisamos avaliar se ele tem alguma proteção quanto a imunização'.

Presente no evento, a secretária-adjunta da SES, Crhistinne Maymone, também reforçou a parceria do Estado com as instituições no processo de participação em pesquisas científicas. 'É importante para nós, estamos juntos nesse processo de pesquisa aplicada que começa hoje. No mundo contemporâneo, sempre precisamos tomar decisões e quando se trata de políticas pública, sempre tomamos com base evidências científicas. Então, que a gente possa fazer aquilo que é a nossa missão, a missão de salvar vidas'.

A fonoaudióloga do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul, Danielle Leite Benites, é uma das voluntárias neste estudo. A profissional atende a pacientes com Covid no hospital referência no Estado. 'Fiquei sabendo durante uma conversa sobre esse estudo, entrei no link, pesquisei e avaliei. Então, tive interesse em participar deste estudo, principalmente porque trabalho e estou na linha de frente. Mexo com pacientes que usam sondas, mesmo sendo da área infantil'.

A pesquisa segue aberta, o recrutamento dos voluntários é feito pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS) e os interessados devem realizar pré-cadastro no link: bit.ly/bcgcovid-19. Podem participar profissionais do setor de saúde, maiores de 18 anos, que não tenham sido infectados pela Covid-19 previamente e não podem estar participando de outro ensaio clínico.

Antes de receber a vacina, em dose única, os voluntários passarão por entrevista e testagem sorológica. Todos serão acompanhados pela equipe de pesquisa por até 1 ano, por meio de ligações telefônicas semanais e, se apresentarem qualquer sintoma sugestivo de Covid-19, poderão fazer a coleta do swab nasal para avaliar a presença de Sars-Cov2. Além disso, retornos trimestrais serão agendados para verificar a presença de possíveis infecções assintomáticas através de sorologia.

O Brace Trial é um ensaio clínico de fase III que visa avaliar se a vacinação ou revacinação com BCG pode reduzir o impacto da Covid-19 em trabalhadores de saúde, população mais exposta ao novo coronavírus. A BCG, além de oferecer proteção contra tuberculose, ensaios clínicos realizados em diversos países apontam a ação da vacina BCG em outras infecções. Na Grécia, um ensaio clínico de revacinação com BCG em idosos demonstrou uma redução de 79% de infecções respiratórias após um 1 ano de acompanhamento.

Em pesquisa realizada na Guiné-Bissau verificou-se que a vacina BCG reduziu em 38% as mortes em recém-nascidos naquele país, principalmente ao reduzir os casos de pneumonia e sepse. Na África do Sul, estudos relacionaram a vacina a uma redução de 73% nas infecções no nariz, na garganta e nos pulmões.

Disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), a vacina BCG é obrigatória no Brasil para recém-nascidos desde 1976. Porém, pode ser tomada até os quatro anos de idade. O imunizante protege crianças de até cinco anos de idade das formas mais graves da tuberculose.