Mulheres empreendedoras se reinventam e mudam perfil de empresas em MS

Nesta quinta-feira (19) é comemorado o Dia Nacional do Empreendedorismo Feminino

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As irmãs Luciana e Carol assumiram a gráfica em 2011 e deram nova cara ao negócio de família. (Foto: Leonardo de França, Midiamax)

Nesta quinta-feira (19) é comemorado o Dia Nacional do Empreendedorismo Feminino. Em Mato Grosso do Sul, elas já estão à frente de 42% dos empreendimentos e essa presença tem mudado o perfil das empresas.

É o caso das irmãs Luciana Reis França e da irmã Carol Reis França, que assumiram em 2011 uma gráfica que até então era comandada pelo pai. “A mudança é nos detalhes. O atendimento melhorou, o contato com os clientes é diferente, pois a gente conversa mais, escuta mais o cliente', diz Luciana.

As duas deixaram os empregos que tinham para se tornar empreendedoras. Carol trabalhava como bancária e Luciana era zootecnista no Mato Grosso. “Nós viemos e meu pai pediu para tomarmos uma decisão', lembra a empresária.

Assim, o toque feminino fez diferença e ajudou a empresa a crescer e enfrentar a crise econômica provocada pela pandemia do coronavírus. “Por ser um negócio familiar, os pedidos entravam e eram executados. Quando entramos [ela e a irmã], a gente tenta contabilizar, executar e entregar dentro de um prazo legal. Temos mais funcionários. O diferencial são os detalhes e a padronização na seção de qualidade', destaca Luciana.

A capacidade de exercer multitarefas e de se reinventar também fazem parte do perfil feminino. Pesquisa do Sebrae mostra que 70,8% das mulheres empreendedoras são casadas ou têm união estável e que 80,6% delas têm filhos.

A empresária Franciele Rosalen Eves, proprietária de uma empresa de assessoria esportiva, destaca o papel da mulher nos negócios. “Somos capazes de nos desdobrarmos com todas as tarefas em casa, na empresa, sendo mães e empresárias'.

Ela toca os negócios com o marido e tem um filho de 4 anos, mas tudo começou antes de formar a família. “Minha vida empreendedora iniciou desde pequena ao ver meus pais trabalhando e tendo uma produtora de vídeo. Logo, minha mãe me colocou em cursos de teclado e piano e, com 15 anos, eu tinha minha primeira turma, já tinha renda', lembra.

Hoje, as experiências que vivenciou desde pequena a ajudaram na formação do negócio, que precisou se reinventar durante a pandemia. “Na pandemia, nos antecipamos e conseguimos vender o ponto onde tínhamos uma academia. Então, começamos a alugar os equipamentos para as pessoas treinarem em casa, que ajudou na renda. Hoje, a empresa está online e tem personal dando aulas ao vivo para todo o Brasil', pontuou.

Então, uma pesquisa inédita do Sebrae mostrou a diferença de gestão entre negócios comandados por mulheres e homens durante a pandemia. Então, esses dados nos ajudam a traçar um perfil das diferenças entre empresas com lideranças femininas.

Por exemplo, elas ficaram mais preocupadas com os funcionários e demitiram 3% menos que os homens. Mas, precisaram fazer mais acordos de redução de salário e jornada.

Por outro lado, elas mostram um perfil arrojado, com 58% das mulheres revelando a intenção de investir em seus empreendimentos no pós-pandemia, enquanto que entre os homens o percentual ficou em 56%.

E elas também estão mais antenadas. Portanto, as mulheres inovaram e 39% delas intensificaram meios de divulgação em plataformas online. Entre os homens, o número ficou em 22%.