Com Bolsonaro, Patriota deve subir de patamar no Estado

Partido que já tem o deputado estadual Lídio Lopes e a esposa dele, a vice-prefeita de Campo Grande, espera crescer se presidente disputar a reeleição

| CORREIO DO ESTADO / FLáVIO VERAS


Deputado Lídio Lopes confia em crescimento do partido no Estado - Divulgação

A possível ida do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para o Patriota é vista com bons olhos pelo presidente estadual da legenda e deputado estadual, Lídio Lopes.

Caso o presidente da República dispute a reeleição em 2022 pela legenda, Lídio Lopes prevê um crescimento do número de filiados, e voos mais altos do partido após a reeleição.

Em Mato Grosso do Sul, a família Bolsonaro, ao chegar ao partido, encontraria a legenda com um deputado estadual, com dois vereadores em Campo Grande e nada menos que a vice-prefeita da cidade na gestão Marcos Trad, Adriane Lopes.  

Lídio Lopes, ao Correio do Estado, frisou que o presidente já poderia ter ingressado no partido em 2018, porém acabou optando pelo PSL. Na época, uma das exigências de Bolsonaro para embarcar na legenda foi obedecida e, o antes PEN, passou a levar o atual nome.  

FLÁVIO BOLSONARO

Nesta semana, o senador e filho do presidente Flávio Bolsonaro (RJ) confirmou sua entrada na sigla e disse que vai negociar a filiação de seu pai. Posteriormente, Bolsonaro disse que a sua entrada no Patriota está quase acertada.

O presidente está sendo pressionado por aliados para decidir qual partido vai concorrer à reeleição, pois falta pouco mais de um ano para o início das eleições de 2022, e essa decisão ainda não foi tomada.

O partido é pequeno: dos 513 deputados federais, apenas seis são filiados à legenda. Já no Senado, apenas um representante – que no caso é o recém-filiado Flávio Bolsonaro. No entanto, 32 parlamentares, que hoje estão no PSL, poderão acompanhar o presidente e fazer o partido crescer no Congresso Nacional.

Nas eleições de 2018, por causa do cabeça de chapa Jair Bolsonaro, o partido conquistou a segunda maior bancada da Câmara, só atrás da do PT.

É com essa expectativa que trabalha o presidente da legenda em Mato Grosso do Sul. Segundo Lopes, a cláusula de barreira e fim da eleição por coligação acabou dificultando ainda mais as legendas consideradas pequenas, e a ida do presidente ao Patriota seria um grande passo para fortalecê-la nacionalmente, bem como localmente.

“O fato de o senador Flávio ter vindo para o nosso partido já é um grande indicativo de que Bolsonaro pode entrar também. Ele é o presidente da República, ou seja, é um nome de peso para fortalecer qualquer partido. Queremos, com isso, negociar a entrada de bons nomes na nossa legenda e, consequentemente, aumentar nossa bancada sul-mato-grossense no Congresso Nacional. No entanto, precisamos do sim do presidente, pois ele quer indicar todos os candidatos que poderão concorrer à eleição ao seu lado', revelou.

Esse é um dos motivos que o presidente ainda avalia em qual legenda vai disputar o pleito de 2022. Como carrega o status de chefe do Executivo Nacional, Bolsonaro quer avaliar a maioria dos nomes que estarão com ele no mesmo palanque e evitar os chamados “caroneiros'.

Ou seja, deputados que surfaram na “onda bolsonarista' e, posteriormente, romperam com o presidente, como: Joice Hasselmann (PSL) e Alexandre Frota (PSDB).  

CANDIDATURA LOCAL?

Já sobre uma possível candidatura própria, Lopes afirmou que ainda é cedo para cravar se vai lançar um candidato ao governo do Estado ou se o partido vai apoiar algum nome. 

“Como já havia dito, precisamos saber a decisão do presidente Bolsonaro. Após o martelo batido, poderemos saber qual a orientação nacional, pois a opinião dele terá muito peso também nas tomadas de posição em todos os estados', analisou.

O vereador por Campo Grande Dr. Sandro Benites (Patriota) é um dos integrantes que mais conseguiu destaque nos últimos anos. 

Alinhado com o discurso conservador do presidente, o também médico e militar conseguiu capital político para viabilizar sua eleição de parlamentar por se posicionar a favor do tratamento precoce contra a Covid-19, umas das obsessões do governo Bolsonaro no combate da pandemia do coronavírus, mesmo sem a comprovação de eficácia do chamado kit Covid-19.

Ele revelou que a ida para o Patriota em 2018 foi motivada pela possível entrada do presidente na legenda para disputa do pleito daquele ano. 

“Infelizmente, Bolsonaro acabou se filiando ao PSL aos 45 minutos do segundo tempo. Dessa vez, porém, a conversa parece estar bem avançada. A possibilidade de ele entrar em definitivo no Patriota é cada vez mais real. O embarque dele será importantíssimo, pois queremos fazer ao menos um deputado federal filiado ao nosso diretório estadual', projetou.

Patriota em MS

Segundo Lídio Lopes, hoje o partido tem um deputado estadual, que no caso é ele, quatro prefeitos e três vices, sendo uma delas a sua esposa e vice-prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes. Por fim, além dos dois vereadores de Campo Grande, o partido ainda tem 30 parlamentares espalhados nas 79 Câmaras Municipais de Mato Grosso do Sul.  

DAVID NA ESPERA

O deputado estadual aliado do presidente em Mato Grosso do Sul, Coronel David (sem partido), afirmou que desde as eleições de 2018 já tem conversado com o presidente do Patriota para uma possível ida à legenda. 

Ele também revelou que diversos políticos ligados a ele acabaram ingressando na legenda por sua intermediação. No entanto, ele voltou a afirmar que depende do presidente para confirmar sua filiação ao partido de Lídio Lopes.

“Eu acredito que o Patriota seria uma boa escolha para o presidente e nosso grupo político, pois a legenda tem como base bandeiras conservadoras, nas quais fazem parte do nosso espectro político. Portanto, caso o presidente se filie ao Patriota não terei dúvida em também tomar a mesma decisão e ajudar ele a fortalecer sua base política em Mato Grosso do Sul para a disputa eleitoral de 2022', concluiu.